Tire suas dúvidas sobre a vacina contra a dengue

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Chance de redução é de 91% nos quadros mais severos, segundo revelam estudos

A eficácia da nova vacina contra a dengue não é 100% garantida nem pelo laboratório que a produz, o francês Sanofi-Pasteur. Mas uma situação é certa: quanto mais grave for o tipo da doença, maiores as chances de proteção, segundo infectologistas.
Em média, 66% dos pacientes com os quatro sorotipos ficaram imunizados. “Ela é mais eficaz contra dengue grave. A eficácia é maior no vírus quatro e menor no vírus dois”, afirma o infectologista Lauro Ferreira Pinto.
Segundo o laboratório, os testes mostraram redução de 93% dos casos graves e 81% das internações.
Embora não seja de 100% a proteção, é uma força a mais contra a doença, avaliam especialistas. “Não é o impacto que a gente queria, mas essas reduções são importantes. As pessoas podem até desenvolver a doença, mas não de forma grave”, avalia o infectologista Crispim Cerutti.

Distribuição

Por enquanto, não há previsão pelo Ministério da Saúde de que a Dengvaxia, como a vacina foi batizada, seja distribuída gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Antes de decidir se adquire ou não as vacinas, serão feitos estudos de custo e de efetividade. Esse é um procedimento de rotina do Programa Nacional de Vacinação, segundo especialistas.
A Secretaria de Estado da Saúde informou por nota que aguarda posicionamento oficial do Ministério da Saúde.
Por enquanto, o único Estado na América a fazer campanha de vacinação contra a dengue é o Paraná, que iniciou ontem as ações. Foram adquiridas 500 mil doses.

Vacina brasileira
Enquanto se avalia o custo e efetividade da vacina francesa contra a dengue, o Instituto Butantan testa a primeira vacina brasileira contra a doença. O órgão é ligado à Secretaria de Estado da Saúde de São Pauloe e é um dos maiores centros de pesquisa biomédica do mundo.
Os testes começaram na última segunda-feira, em Fortaleza. Participarão cerca de 1,2 mil fortalezenses de 2 a 59 anos.
“O custo de produção da vacina não é baixo. Mas trabalhando dentro do mercado nacional, deve haver um impacto menor do valor. E o instituto é empresa pública, que não visa ao lucro”, avalia Crispim Cerutti.

Tira-dúvidas

Faixa etária
A faixa etária de pessoas liberadas para receber a vacina é de 9 a 45 anos. Isso porque foi nessa faixa que foram feitos os testes. Então, por enquanto, ainda não se sabe os efeitos da vacina sobre outras faixas de idade.

Eficácia
A média de proteção é de 66% dos pacientes com os quatro sorotipos do vírus da dengue. Quanto mais grave for o tipo da dengue, maior a chance de proteção. E se o paciente já tiver tido dengue, maior a eficácia da vacina, já que ele conta com imunização no corpo. Os testes mostraram que houve redução de 93% dos casos graves e diminuição de 81% das internações.

SUS
O Sistema Único de Saúde (SUS), por enquanto, não vai adquirir e fazer a distribuição da vacina. O Programa Nacional de Vacinação (PNV) vai acompanhar como se sai a vacinação e a relação custo/efetividade dela. É um procedimento de rotina do PNV, segundo infectologistas consultados.

Outras doenças
A vacina protege especificamente contra a dengue. Ou seja, não possui eficácia nem contra a zika nem contra chikungunya. A vacina foi feita em cima do esqueleto de um vírus de febre amarela e com o material dos quatro vírus da dengue, mas não protege contra febre amarela.

Doses
A vacina é dada em três doses, com intervalo de seis meses entre elas.
Efeito colateral
Nenhum efeito colateral significativo apareceu nas cerca de 30 mil pessoas testadas com a vacina. Os relatos são, em alguns casos, de ardência ou dor no local, o que é comum em todas as outras vacinas.

Custos
Cada dose da vacina contra a dengue poderá custar de R$ 132,76 a
R$ 138,53, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Testes
Os testes envolveram 40 mil pessoas em 15 países. No Brasil, cerca de 3.500 pessoas de cinco cidades participaram dos testes. A vacina chamada Dengvaxia é produzida pelo laboratório francês Sanofi-Pasteur.

Instituto Butantan
O Instituto Butantan iniciou na última segunda-feira os testes em humanos da primeira vacina brasileira contra a dengue.

Com informações da Gazeta Online