O lado ruim de trabalhar no Google, segundo ex-funcionários

Tecnologia

Hudson Cunha - Olhar DigitalTrabalhar em uma das maiores empresas de tecnologia e inovação do mundo pode parecer um paraíso geek, mas até mesmo o emprego dos sonhos possui suas desvantagens. Em um post no fórum de perguntas e respostas Quora, funcionários e ex-funcionários do Google revelaram os defeitos da organização. Confira algumas das principais reclamações:

Qualquer vaga exige os melhores candidatos

Entrar no Google requer um currículo de alto nível, mas nem sempre a exigência está a altura da tarefa a ser executada. Um ex-recrutador da empresa diz que candidatos graduados em algumas das melhores universidades do mundo acabam contratados para remover manualmente vídeos do YouTube e desenvolver códigos básicos de teste de cores em uma página. Nada que exija uma experiência tão impressionante.

Segundo ele, isso não apenas torna o processo seletivo mais complexo, como também dificulta promoções, já que o seu chefe pode ter o mesmo nível de conhecimentos que você. Além disso, o trabalho pode ser um tanto desmotivador quando se está apto para desenvolver algo muito maior e mais importante do que suas atribuições.

Apenas números e medidas importam

Uma crítica recorrente é a de que seu trabalho só é valorizado se ele trouxer algum resultado em termos de medidas. Respostas positivas dos usuários? Número menor de bugs? Maior engajamento? Nada disso é importante. Mas desenvolver um sistema que ajude a monitorar quantas vezes um internauta desce a barra de rolagem, por mais que não pareça ter serventia alguma, é um trabalho que pode lhe render elogios.

Não existe folga (pelo menos para o seu cérebro)

“Não sei se o Google contrata viciados em trabalho de propósito ou se ele cria o vício em trabalho em nós”, disse um dos engenheiros responsáveis pelo Chromebook. De acordo com ele e outros ex-funcionários, a cultura dentro da empresa é a de obter os melhores resultados e o maior nível de produtividade possível, o que torna comum ver colegas trabalhando até tarde, aos fins de semana e até durante as férias.

Chorar sobre a mesa, disparar e-mails durante a madrugada, dissolver um casamento por conta de algum projeto na empresa, pesadelos recorrentes, etc., são alguns dos relatos mais comuns de funcionários expostos a essa cultura estimulada pelo Google. “Talvez você não ouça o seu chefe dizer ‘você precisa trabalhar de fim de semana e durante as férias’, mas eles sustentam essa cultura fazendo justamente isso”.

É difícil formar amizades

Essa cobrança interna por resultados não só cria pessoas viciadas em trabalho como impede o estabelecimento de relações mais próximas entre os colegas. “Tem muita arrogância. Todos acreditam que eles (a maioria são homens) são melhores do que seus vizinhos. Ninguém se interessa pela sua opinião a menos que você seja uma pessoa ‘importante'”, diz um ex-designer do Android.

Projetos podem ser cancelados a qualquer momento, sem explicação

“Entre para o Google, trabalhe com pessoas incríveis em projetos inovadores, e observe eles serem assassinados”, resumiu um ex-funcionário anônimo. Ele conta que, certa vez, desenvolveu um produto novo que parecia incrivelmente alinhado ao propósito da empresa, bem avaliado internamente e por usuários em fases de teste e que tinha tudo para ser um sucesso.

No fim das contas, o projeto foi cancelado. Sem qualquer explicação, ou ao menos alguma que fizesse sentido. Para completar, pessoas que trabalharam nesse produto tiveram pedidos de promoção negados porque “falharam em causar um impacto” na empresa. E, de acordo com esse ex-funcionário, casos como esses são bem comuns.

Não existe muita diversidade

O perfil de um funcionário do Google parece atender sempre as mesmas exigências, o que, segundo um ex-funcionário anônimo, faz parecer que “eles contratam a mesma pessoa toda vez”. “A mesma história de vida, as mesmas 10 universidades, a mesma visão de mundo, os mesmos interesses. Não é exagero dizer que eu conheci uns 100 triatletas em meus três anos trabalhando lá. Mas apenas alguns deles eram pessoas interessantes”.

 

Fonte: Olhar Digital