Entrevista: Comandante da PMDF abre as portas para jornalistas e blogueiros

Geral

O comandante da Policia Militar do Distrito Federal, Coronel Marcos Antônio Nunes de Oliveira, juntamente com seu subcomandante, Coronel Santana, receberam na última terça-feira (11), em seu gabinete, jornalistas e blogueiros que cobrem a política do Distrito Federal e a segurança pública para uma coletiva.

Num papo descontraído que durou cerca de quase três horas, vários temas de relevância e interesse tanto da corporação como da sociedade foram debatidos, como a onda que se espalhou nos meios de comunicação relacionados aos desentendimentos entre a PMDF e a PCDF.

Segundo o comandante, apesar de sua discrição em tocar no tema, a convivência entre as duas co-irmãs é a melhor possível, apesar de cada uma estar empenhada na busca da valorização salarial de sua mão de obra qualificada e de suma importância que é seu policial. A paridade exigida pela Polícia Civil junto à Polícia Federal e o consequente pedido de paridade da Polícia Militar com a Polícia Civil pelos militares, acabou por levar o governador Rollemberg a tomar a decisão de que aumentos, caso concedidos, seriam no mesmo percentual aos órgãos de segurança.

Com um efetivo de 12.241 praças e 1.144 oficiais, entre combatentes e especialistas, totalizando 13.385 policiais (Atualizado no dia 06/10), o comandante reconhece a defasagem de mais de 5 mil policiais. Porém, a corporação tem se empenhado em cumprir seu papel institucional de forma a levar à sociedade, mesmo no sacrifício, uma qualidade no policiamento à altura do que ela merece. Existe ainda para esse ano a previsão de abertura de concurso público para 2 mil policiais para o quadro de soldado, o que poderá amenizar a situação atual da falta de efetivo.

A crise econômica e a insuficiência dos valores do Fundo Constitucional do DF, que é o responsável em manter os órgãos de segurança, são fatores que dificultam os investimentos, inclusive no que diz respeito a um Plano de Carreira, Saúde da família policial militar e investimentos operacionais, como coletes, armamentos e viaturas, queixa constante do GDF que acaba por complementar as necessidades com recursos próprios, ou seja, do tesouro local.

 

Outro fator que preocradios-cel-nunesupa o comandante é a perda sistemática do efetivo. Por ser uma classe onde o efetivo está relativamente velho (a maioria está em final de carreira com quase 30 anos de serviço) isso acaba por prejudicar todo o planejamento operacional da corporação. Até setembro desse ano a perda de policiais que se aposentaram, foram excluídos, faleceram ou foram para outros órgãos públicos chegou a mais de 1.200. “Hoje mesmo recebi a informação do comando do 10º Batalhão (Ceilândia) de que mais 37 processos de pedido de aposentadoria estavam prontos para serem encaminhados”, disse o comandante.

O blog questionou o comando da corporação sobre um dos maiores e mais complexos temas dentro das casernas: PROMOÇÕES. De acordo com o coronel Nunes, todos os esforços estão sendo envidados para que a redução do interstício e as promoções de dezembro ocorram normalmente, porém não há garantias diante da crise econômica atual.  “Apesar de tudo, quando a gente pega a nossa estatística de produtividade com carros recuperados, armas aprendidas e criminosos presos, vemos que nesta guerra ainda somos os vencedores. O policial tem se empenhado e se entregado de corpo e alma em defesa da sociedade, por isso nosso empenho junto ao governador em procurar valorizá-lo, incentivá-lo e motivá-lo”, destacou.

Nunes também contabiliza pelo êxito nas ruas por ser a Policia Militar do Distrito Federal uma das melhores do país. A PM tem uma faculdade reconhecida pelo MEC e investiu por onze anos na formação superior de seus policias atingindo quase 100% da tropa

cel-nunes-8“Caso de corrupção na tropa é praticamente inexistente e me responsabilizo no que afirmo. Fomos eleitos a polícia mais pacifica do Brasil com todo esse rolo de impeachment e grandes eventos como as olimpíadas e não tivemos um só problema. Se o policial tem maior conhecimento jurídico, operacional e social e conhecimento de personalidade humana ele sabe compreender o outro lado e tem mais poder de persuasão para resolver o problema. Um policial vale ouro nas ruas por evitar uma série de crimes”, afirma Nunes.

Sobre o Decreto 37.321 assinado pelo governador Rodrigo Rollemberg que reorganizou a estrutura da Policia Militar, o comandante justifica que foi a forma encontrada de racionalizar os gastos diante de uma crise no orçamento que afeta todos os órgãos de governo. Aliás, esse decreto foi objeto de discussão em uma Audiência Pública na Câmara Legislativa organizada pelo deputado distrital Rafael Prudente o qual afirmou que “O decreto está prejudicando o trabalho dos policiais, os batalhões foram esvaziados, os comandantes perderam autonomia e a criminalidade está aumentando em todo o Distrito Federal”. Porém, o comandante Nunes afirma que isso em nada alterou a rotina diária dos policiais e o policiamento, apenas centralizou em um único local trabalhos administrativos que eram desnecessários, possibilitando o emprego desse pessoal administrativo diretamente no serviço operacional.

Da redação,

Por Poliglota