DF mantém inflação abaixo da meta pelo segundo mês seguido

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Desde janeiro de 2015, a variação acumulada de 12 meses em Brasília estava acima do intervalo de tolerância da inflação.

Pelo segundo mês seguido, Brasília ficou com inflação abaixo da meta estipulada pelo Banco Central para o País em 2017. Medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto, a variação acumulada nos últimos 12 meses foi de 3,99%, enquanto a meta nacional é de 4,5%.

Os dados foram divulgados pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) na manhã desta terça-feira (19), na sede de empresa pública.

A companhia fez uma análise de levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 13 capitais do Brasil.

Desde janeiro de 2015, a variação acumulada de 12 meses em Brasília estava acima do intervalo de tolerância da inflação. Isso ocorreu até o mesmo mês de 2016, quando o valor começou a diminuir.

Em outubro daquele ano, a cidade voltou para dentro do intervalo e continuou a decair. Foi em julho que os valores em Brasília ficaram abaixo da meta atual, com 3,79% de variação acumulada em 12 meses.

Apesar de se manter abaixo da meta do País, Brasília registrou uma variação positiva de 0,45% na inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em agosto. O número representa um aumento de 0,17 ponto porcentual em relação ao mês anterior, em que a taxa foi de 0,28%.

A variação de Brasília foi a mais alta entre as cidades pesquisadas em agosto. O que fez com que a capital ficasse acima da média nacional (0,19%).

Os setores que tiveram maior influência no aumento foram os de transporte (2,63%) e de vestuário (0,88%).

“A gasolina vinha diminuindo no DF. De repente, aumentou mais aqui do que no resto do Brasil, o que explica a inflação ser a mais alta do País”, disse o presidente da Codeplan, Lucio Rennó, na divulgação.

Segundo a Codeplan, o aumento ocorreu devido a reajustes dos preços dos combustíveis em agosto. Só a gasolina teve elevação de 12,26%. Apenas alimentação e bebida (-0,76%), artigos de residência (-0,23%) e de comunicação (-0,09%) tiveram deflação.

Para a gerente de Contas e Estudos Setoriais da Codeplan, Clarissa Jahns, o aumento de 0,45% é baixo. “Parece alto quando falamos que é a maior variação do Brasil, mas esse valor indica preços comportados.”

INPC de Brasília também apresentou inflação em agosto

Também houve inflação na medição do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de agosto, com variação de 0,17% em relação a julho. Assim como no IPCA, o resultado ficou acima da média do País (-0,03%)

O setor de transporte foi o com a maior variação no INPC, com 2,33%, mas educação (0,41%), habitação (0,44%) e vestuário (0,42%) também tiveram influência no índice.

A análise da Codeplan indica que gasolina, cursos preparatórios, energia elétrica e roupas tiveram aumento de preço.

O IPCA mede a inflação de um conjunto de produtos e serviços no varejo, referentes ao consumo pessoal das famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos. Já o INPC avalia o consumo de famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos.

Brasília tem retração da economia no segundo semestre de 2017

Pela décima vez desde o início do Índice de Desempenho Econômico do DF (Idecon-DF), em 2012, a economia de Brasília sofreu redução. O segundo trimestre de 2017 teve retração de 1% em relação ao mesmo período de 2016.

Contribuíram para esse resultado as variações negativas nos setores industrial (-3,6%) e de serviços (-0,8%). A agropecuária cresceu 5,5%. Os dados do Idecon também foram divulgados pela Codeplan no evento de hoje.

Índice Ceasa teve redução no mês de agosto

Apresentado pelo economista das Centrais de Abastecimento do DF (Ceasa) João Bosco Soares Filho, o Índice Ceasa do DF (ICDF) teve redução de 4,13% em agosto. “As maiores influências foram a seca e uma deficiência hídrica em diversas regiões de onde os produtos do nosso entreposto têm origem.”

Segundo o economista, essas condições climáticas são ótimas para as safras de morango (-18,84%) e de tomate (-40,73%), que têm muito peso para a variação dos setores de frutas (-4,21%) e de legumes (-3,19%). Já toda a produção de verduras (-15,37%) é favorecida com a seca.

“Caso a previsão de chuva se confirme para o fim de setembro, as folhosas vão começar a ganhar preço e alcançar um equilíbrio, assim como o tomate, que sofre por não compactuar bem com muita água”, justificou Soares Filho.

A baixa variação (-0,443%) dos preços do setor de ovos e grãos levou o economista a descrevê-los como estáveis. Além disso, ele explicou que esse segmento tem pouco peso no ICDF, em comparação com os outros.