Cristovam faz duras críticas à Rollemberg e a Câmara Legislativa

Política

O senador Cristovam Buarque (PPS/DF), em entrevista à Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno (ABBP), fez duras críticas ao governador Rodrigo Rollemberg e à Câmara Legislativa. Na estreia do “Sabatina Política”, o senador disse que o governo Rollemberg está deixando muito a desejar e em dois anos ainda não tem legado. “Ele preferiu ficar refém da crise”, afirmou.

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Senador Cristovam Buarque e o diretor-presidente da ABBP, Fred Lima. Foto: Matheus Bueno/Bueno Fotografia.

Às vésperas da escolha de um novo presidente para a Câmara Distrital, Cristovam Buarque apelou “ aos cidadãos de bem do DF que se candidatem à deputados distritais. Quando você convida alguém para candidatar-se a deputado distrital a resposta é: “Não quero entrar naquela coisa chamada Câmara Legislativa. ”

O senador avaliou também o Parlamento Federal. Revelou – se constrangido em pertencer a um Congresso Nacional onde a população de todo o Brasil, vai as ruas para fazer críticas a deputados e senadores.

Cristovam fez um alerta: “Se nós não escolhermos uma Câmara Distrital e um governo bom em 2018, nós corremos o risco de perder a autonomia. Os senadores estão doidos para acabar com a autonomia do Distrito Federal. Há um descontentamento com o fato de que nós temos autonomia para escolher o governador e o dinheiro vem todo do Governo Federal. E os salários, são bem maiores no DF.”

Prisioneiro das Dificuldades

Um erro que eu não cometi e acho que Rodrigo Rollemberg comete é ficar prisioneiro das dificuldades. Disse para ele que quando assumi fiz uma lista de projetos transcrise. Entreguei ao governador recém-eleito, uma cartilha de erros cometidos quando fui governador. Todos enfrentamos crises. Não tão brabas como as dele, mas nós todos enfrentamos crises. Ele não fez essa lista. Na primeira reunião dele com todos os partidos que o apoiaram eu ainda perguntei, qual é o legado que o senhor quer deixar. Porque equilibrar contas não é legado até porque outros podem quebrar como o Agnelo (ex-governador Agnelo Queiroz) quebrou também. O legado já foi embora e ele terminou caindo na armadilha da falta de recursos que é uma armadilha real. Armadilhas são verdadeiras, nem todas são ilusórias. Tem coisas que dá para fazer sem dinheiro.”

Saúde em Casa

Citou como exemplo, o Saúde em Casa que podia ter sido trazido de volta. Mas o governador preferiu cair na armadilha da falta de recursos. De fato, não tem dinheiro para construir hospitais. Mas o maior problema do Brasil não é mais o hospital. Eu não construí hospitais mas disponibilizei muitos leitos. Uma maneira simples, você bota o médico a atender nas casas ali perto. Não precisa de hospital se a pessoa for atendida antes “, argumenta Cristovam Buarque.

Para o senador do Distrito federal do PPS, o governo hoje não tem legado para deixar. Estão aí as dificuldades para pagar as contas, pagar o 13º, tudo herdado, mas que poderia ter sido trabalhado, deixado alguns legados e evitado uma série de problemas.”

Câmara Legislativa

A pouco mais de uma semana para a eleição da escolha da Mesa Diretora da Câmara Legislativa do Distrito federal, num momento que o legislativo distrital passa por turbulência com problemas com polícia, ministério público e justiça o senador e ex-governador, Cristovam Buarque, fez uma avaliação crítica dura dos deputados distritais.

“Eu quero dar um recado aos cidadãos de bem desta cidade. Vocês têm que se candidatar a deputado distrital. A dois anos atrás eu tentei criar uma bancada de notáveis (ninguém gosta da palavra). Procurei diversos nomes da imprensa, das universidades, procurei personalidades em outras áreas de profissionais e não consegui. Todos dizem: não quero entrar aquela coisa chamada Câmara Legislativa. Como não querem entrar deixam para quem está aí. Acho que tem dois anos, quase dois anos, para preparar uma nominata de grandes personagens desta cidade para assumir o cargo de deputados distritais”, defende o senador.

Por ouro lado, explica, os escândalos todos não são muito diferentes dos últimos anos. “Desde que eu estava no governo já existiam esses escândalos. Esse ano teve mais talvez porque vocês têm sido denunciantes, deram visibilidade aos problemas. Se não fosse vocês talvez alguns desses escândalos não tivessem sido denunciados ou ficariam mais discretos ou escondidos em algumas páginas dos jornais. Vocês fazem a diferença. ”

Mao opinião de Cristovam, “quando a gente lê num jornal, lê e pronto. Depois conversa com alguém na igreja ou num boteco. Na internet, tem o replay. Os escândalos são bem mais divulgados e vocês estão fazendo muito bem esse trabalho”.

Recado ao novo presidente

“O recado que eu dou ao futuro presidente da Câmara Legislativa, respondendo à pergunta é que “ ele tem que saber o que a opinião pública está querendo, deve chamar os parlamentares e buscar saber o que a gente faz com a Câmara Distrital que é orgulho do DF. Como está funcionando não pode ficar”, concluiu Cristovam.

Congresso Nacional

“Quero dizer também que o Congresso não está orgulhando o Brasil. Eu falo da Câmara Distrital, mas com certo constrangimento de pertencer ao Congresso Nacional, de ver manifestações, em todo o País, contra o Legislativo. ”, assinalou, acrescentando: “As manifestações de ontem (04) pela primeira vez não foram contra o governo. Nem contra a Dilma. Foram contra o Congresso”.

Reforma da Previdência

Cristovam Buarque defende a reforma da previdência. “Tem que haver uma reforma. O tempo que um aposentado fica sem trabalhar, hoje, é dez vezes maior que a 10 anos atrás. Então tem que haver reforma. A reforma pode ser tendo que aumentar a contribuição do valor percentual mantendo a mesma idade, pode ser manter a contribuição aumentando a idade mínima. A partir daquela idade você não recebe mais. Tem que fazer uma reforma e essa reforma vai implicar em ter que aumentar a idade mínima. Hoje nós temos pessoas se aposentando com menos de 50 anos e vivendo mais 30. Então tem que haver uma reforma. E essa reforma passa pelo aumento da idade.”

Igualdade de Tratamento

E também pela procura de justiça que hoje não tem entre o setor privado e o setor público. Precisa ter um sistema que trate todos os brasileiros da mesma forma. Entretanto tem profissões e profissões. Por exemplo, o pescador que trabalha no mar, não pode se aposentar com idade alta até porque a esperança de vida dele é menor. O agricultor que trabalha de sol a sol tem que ter uma idade especial para aposentadoria. Militar é possível que tenha que ter uma idade especial.

O ideal talvez seja diminuir o número de horas de trabalho. Será que a injustiça não está em trabalhar muito? É uma questão de se analisar. O professor, por exemplo, ao longo da história, nós nos acostumamos a pagar pouco e deixamos que se aposente cedo. E isso está trazendo um prejuízo grande à educação. Tem pessoas que no linear de sua vida intelectual se aposentam. Talvez seja melhor aumentar o salário e ficar mais tempo trabalhando. O militar tem que analisar se pode reduzir o tempo de trabalho. Pode ser justo também. O que não pode é trabalhar mais horas que as outras pessoas e se aposentar com a mesma idade. O mais certo seria militar trabalhar as mesmas horas que todos os brasileiros. O funcionário público tem que ganhar muito bem mas tem que ter.

Problema Habitacional

Foi cobrada uma posição do senador do Distrito Federal sobre o problema habitacional. Nos últimos dois anos “20 mil pessoas” foram desalojadas de suas casas. A forma como a polícia tira a força quem não sai, e o governo deixando as   pessoas sem nada pois não da alternativa habitacional para ninguém foi apresentada ao senador. Ele recebeu críticas pela classe política estar “muda e silenciosa”. No Senado, o senador Hélio José promoveu uma audiência pública; na Câmara Federal, o deputado Izalci Lucas, realizou uma audiência pública. Na Câmara Legislativa, pior ainda. Ninguém faz nada”, criticaram os blogueiros.

Cristovam Buarque respondeu que “habitação é fundamental, saúde é fundamental, eu, talvez por vocação, foco na educação. Na minha opinião, os problemas de habitação, de saúde, são resultados da falta de educação temos 30 milhões de adultos analfabetos. Por isso, sou senador da República, da Educação. Não sou senador, reconheço, da Habitação. ”

Do Portal ABBP