Automedicação atrapalha diagnóstico de doenças no aparelho digestivo, destacam médicos

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Não é de hoje, mas parece mais fácil e eficiente pedir um remédio para o vizinho do que marcar uma consulta médica.

De acordo com o endoscopista Dr. Felipe Palmeira, a maioria dos pacientes que procuram auxilio, já fazem uso de medicamentos sem orientação há um longo período. “O paciente toma a medicação, alivia a dor. A dor volta e ele toma novamente, sem nenhuma orientação. Neste caso é interessante fazer uma endoscopia para saber o que está ocasionando a recorrências dos sintomas, bem como, a pesquisa de H. pylori. Esta bactéria é a principal causas de gastrite e úlcera, além do uso de anti-inflamatórios, sem a indicação médica, sendo a segunda causa.” afirma o médico.

Dr. Felipe também ressalta que o exame de endoscopia, em geral, não é solicitado de imediato. Segundo ele, a depender do quadro, inicialmente o paciente pode receber orientações e com isso é realizado um tratamento. Caso o tratamento indicado não resolva, é solicitado o pedido da endoscopia.  “Pacientes com dispepsia acima de 40 anos, idosos, com sinais de alarme como a perda de peso, anemia, disfagia [entalo], é interessante fazer a endoscopia, e partir disso começar um tratamento adequado”, disse.

Cuidados com o intestino

O médico proctologista Dr. André Araújo, diz que doenças no intestino, são bem silenciosas. Ele explica que no caso do câncer do colón, os sintomas surgem de forma tardia. “Quando o paciente sente os sintomas do câncer no intestino, já se trata de um tumor grande. O colón é um órgão tubular de capacitância e funciona como um tubo de PVC. Se há o acumulo de sujeira dentro deste tubo, a saída da água continuará normal, ou seja, a água só vai parar de sair, se houver uma maior obstrução. O mesmo acontece com o intestino. Os sintomas somente aparecem, se a lesão estiver numa proporção que impede a saída das fezes”, afirma.

O especialista recomenda que o paciente não procure orientação médica somente quando houver a incidência de sintomas que segundo ele, os mais comuns são: mudança em seus hábitos intestinais, incluindo diarreia ou constipação; sangramento retal ou sangue nas fezes; perda de peso inexplicável; sensação dolorida na região anal, com esforço ineficaz para evacuar.  “Se o paciente notar qualquer um dos sintomas citados é necessário marcar uma consulta. Contudo, o sangramento e alternância do hábito intestinal são pouco específicos e presentes numa grande variedade de doenças que muitas vezes acabam sendo ignoradas. Lembro ainda que o uso de remédios sem prescrição pode atrapalhar o diagnóstico de uma doença grave e ainda existem os efeitos colaterais” finaliza o médico.

 

Sobre os médicos

Dr. André Araújo é graduado em medicina pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. É membro titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia. Possui residência Médica em Coloproctologia pelo Hospital São Rafael / Monte Tabor; residência Médica em Videolaparoscopia pelo Hospital Geral Roberto Santos / SESAB; e residência Médica em Cirurgia Geral pelo Hospital Geral Clériston Andrade / SESAB.

 

 

 

 Dr. Felipe Palmeira Santos possui residência Médica em Cirurgia Geral pela Univ. Federal de Campina Grande – PB 2011 – 2013. É especialista em Endoscopia Digestiva pelo Hospital Estadual Mário Covas – FMABC-SP – 2013-2015 e também especialista em Endoscopia pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva Digestiva – SOBED.